Monumento Megalíticos em Florianópolis


 

Você sabia que Florianópolis tem um dos mais ricos acervos rupestres do planeta?

No litoral do Atlântico Sul, abrangendo Brasil e África, não há outro acervo rupestre como o da Ilha de Santa Catarina. São mais de 65 sítios arqueológicos com centenas de inscrições rupestres e também dezenas de sítios com pedras orientadas. Essas pedras serviam como calendários astronômicos aos primeiros habitantes da região, cuja ocupação iniciou-se cerca de cinco mil anos atrás. Algumas das pedras astronômicas mais impressionantes se encontram na Barra da Lagoa, Ilha do Campeche e continente abrangendo Coqueiros e Itaguaçu. Há na Barra, por exemplo, um local onde dois blocos emolduram o nascimento do sol exatamente entre as duas rochas no primeiro dia de verão (solstício).

Através de testes feitos nos Megálitos da Barra da Lagoa (grandes blocos de granito encontrados como vestígios de diversas civilizações antigas no mundo), descobriu-se que muitos deles, bem como algumas das inscrições rupestres, estão propositalmente alinhadas aos diferentes locais onde o sol nasce nas mudanças de estação. A quantidade de ocorrências rupestres em Florianópolis pode ter sido resultado de uma população indígena concentrada, não só graças as condições geográficas, mas também a beleza natural do lugar.

CAMPECHE: A ILHA DE PÁSCOA DO ATLÂNTICO

A Ilha do Campeche já é um lugar inesquecível para qualquer visitante apenas pela sua beleza natural. Sua paisagem une praia, mar, animais nativos e mais de 100 espécies vegetais, tudo isso num pedaço de terra de 500 mil metros quadrados, em pleno Oceano Atlântico. Mas a grande surpresa da ilha são as 167 sinalizações rupestres em 14 sítios arqueológicos com gravuras esculpidas nas pedras, além de 9 oficinas líticas usadas pelos antigos para produzir, afiar e polir instrumentos.

É importante salientar que a comparação entre a chilena Ilha de Páscoa, localizada no oceano Pacífico e a ilha do Campeche não é feita pela semelhança entre as pedras, mas pela riqueza de petróglifos (pedras com gravações esculpidas) num espaço geográfico tão pequeno.

Os desenhos encontrados na Ilha tem 14 formatos distintos. Muitos deles com características vistas apenas no litoral catarinense.

Reconhecendo tal importância histórica e arqueológica, o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional tombou a Ilha do Campeche, em julho de 2000, como patrimônio arqueológico e paisagístico brasileiro.

DE PESCADOR A ANTROPÓLOGO

Adnir Antonio Ramos é nativo da Fortaleza da Barra da Lagoa. Quando era pescador, nos anos 80, encantou-se com as inscrições rupestres da Ilha. Quando saía de barco para pescar, começou a observar as inscrições no costão da Barra da Lagoa, num ponto conhecido como Ponta Pedra do Frade. Percebeu também que além dos desenhos, havia pedras graníticas imensas no topo do morro e dos costões. Foi quando decidiu entrar para Universidade e cursar a faculdade de Biblioteconomia e posteriormente se especializar em Antropologia.

Um dia, sentado no terreno atrás de sua casa, na Fortaleza da Barra da Lagoa, observou a lua nascer exatamente entre duas pedras. Depois disso começou a procurar um lugar de onde pudesse ver o sol nascer entre as pedras. Foi quando descobriu que a pedra usada pelos povos ancestrais para observação do calendário solar estava localizada no quintal de sua casa.

Adnir pode observar que 26 dias antes do solstício de verão, o sol nascia entre duas pedras no alto do morro. No dia 21 de dezembro, um dia depois do fim da primavera, o sol nascia sob um dolmen (megálitos verticais sobrepostos a megálitos horizontais) à direita das duas pedras. Em 1989 descobriu outro dolmen no caminho que liga a Fortaleza da Barra até a praia da Galheta, que serviria como observatório para os equinócios, a partir da plataforma de observação astronômica descoberta atrás de sua casa. Posteriormente descobriu, mais ao norte, outra pedra que marcava o inicio do inverno a partir da referida plataforma.

Foi assim que o antropólogo começou a defender a hipótese da existência de pedras com função astronômica em Florianópolis.

Com o tempo, utilizando um medidor geodésico, patrocinado pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, pôde comprovar sua tese sobre as pedras orientadas:  Acredita-se que os primeiros habitantes da Ilha de Santa Catarina possuíam conhecimentos astronômicos e matemáticos,mas não sabemos ao certo quem dispunha de tecnologia para construir tais calendários (é o mesmo mistério que envolve os megálitos da Ilha de Pascoa, as Pirâmides do Egito e muitos outros monumentos no mundo). Os índios e pré-índios usavam esse calendário para uma série de atividades cotidianas como a pesca, plantio, colheita, caça e provavelmente para o ritual da fertilidade, fato que ocorria na maioria dos povos estudados, sim, as famosas festas de passagens dos solstícios e equinócios, hoje praticadas e conhecidas como festa de natal, carnaval, páscoa, festa de São João e finados.

Em 2004, Adnir construiu uma trilha e inaugurou um portal na entrada da Fortaleza da Barra, sede do Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia -  IMMA.  Esse portal serve de ponto de partida para uma trilha de visitação a monumentos megaliticos.

Atualmente está fazendo estudos em outros sítios megálitos do Brasil, como o famoso Stonehenge brasileiro, em Calçoene, no Amapá.

Se você tem interesse em conhecer mais e ajudá-lo a defender essa causa, acesse o site immabrasil.com.br ou arqueoastronomia.com.br

Para agendar visitas, entre em contato com o e-mail immabrasil@gmail.com ou ligue (48) 99607-2201 / 99621-8298      

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Adorei

Não vejo a hora de conhecer

agosto 2017

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02 ago 2017


Por Malu Monteiro
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