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POLÍTICA, SEXO & BOEMIA

por Olsen Jr
Dia destes, li em algum lugar a citação: É
uma pena que todas as pessoas que sabem como governar o país
estejam ocupadas dirigindo táxis ou cortando cabelos,
afirmando não lembrar quem era o autor. Pois bem, começo
o meu texto desincumbindo-me desta tarefa, trata-se do comediante
norte-americano George
Burns (Nathan Birbaum) que, aliás, nasceu no século
dezenove.
Aprecio estas pessoas que conseguem com uma única frase
se apropriarem de um imaginário coletivo, valer-se
de certas crendices e preconceitos que o forjam, para demoli-lo,
mais adiante, com os mesmos argumentos. George Burns era pródigo
nisso. Tem mais duas assertivas demolidoras, que mencionarei
daqui a pouco. Num tempo em que os políticos (e suas
artes) ganham espaço nas primeiras páginas dos
jornais em detrimento das verdadeiras questões nacionais,
uma espécie de engodo, como a atrair nossa atenção,
ou melhor, desviá-la, porque o circo sugere diversão
garantida, enquanto os problemas, geram mais preocupações,
quando não se pensa rem resolvê-los. A propósito,
Sérgio Porto (que assinava frases infernais com o pseudônimo
de Stanislaw Ponte Preta, que por sua vez foi inspirado no
personagem Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade, o que
é outra história) costumava afirmar A
prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é
uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso
do nosso subdesenvolvimento. Foi a eleição
da Câmara dos Deputados em Brasília e o custo
de cada voto, a rasteira no Governo e a perplexidade
de toda uma nação (aquela parte consciente)
diante do desvario que me faz buscar o riso, para protelar
o choro.
Além do circo animado por alguns palhaços (sem
vocação para o riso) lotados no Congresso Nacional,
outro assunto insuflou o nhein-nhein-nheindo povão.
O barracomontado pela atual mulher do nosso craque
Ronaldo. Coisa de louco. A colônia sempre vai atrás,
como diria a minha mãe. Outra maneira de explicar que
saímos da pré-história para a internet
sem um estágio intermediário de civilização
(não me lembro quem disse isso). Ah, sim, tem outra
do Burns Já faz muito tempo, mas ainda me lembro
do tempo em que o ar era limpo e o sexo era sujo.
Está bem, como todo o matemático que sempre
procura levar (conduzir) o desenvolvimento do seu cálculo
para uma equação conhecida, chegamos nela, finalmente:
a boemia. Dizia o velho (e sábio) George Burns Na
realidade, basta um drinque para me deixar mal. Mas nunca
sei se é o 13º ou 14º . Particularmente,
acredito que, qualquer um que se embriague com 13 ou 14 doses
é um amador.Não perco mais meu tempo com eles.
Falando nisso, estava batendo um papo na Universidade Federal
de Santa Catarina com duas turmas do Curso de Letras. A coisa
toda estava meio sem-graça (fazia mais de meia
hora que eu não bebia nada) quando me ocorreu falar
da importância da bebida (depois do trabalho árduo)
na vida de alguns escritores. Mencionei o uísque na
vida de William Faulkner; o vinho apreciado pelo Papa
Hemingway; o champanhe nos interlúdios, de Scott Fitzgerald...
na primeira pausa para perguntas, dada a minha empolgação,
uma ouvinte, tímida, pergunta qual a minha bebida favorita?
Respondi com a altivez do filósofo que acaba de descobrir
uma importante e inquestionável verdade: a líquida!
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