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Vida de Pescador
(Parte 1)
Fotografias de Rui Bittencourt e cerâmicas de Teca
Bittencourt retratam a cultura e os costumes da Barra da Lagoa

O casal Rui e Teca Bittencourt abriram na última
segunda- feira (28/02/05), às 19h30min, a exposição
Vida de Pescador, inspirada na Barra da Lagoa. A mostra fica
até 18 de março na Sala Lindolf Bell, no Centro
Integrado de Cultura (Av. Irineu Bornhausen, 5.600, Florianópolis).
Rui, um apaixonado por fotografia, e Teca, ceramista, já
há bons anos formam um par. Esta paixão por
artes tão distintas, integradas a uma longa e íntima
convivência com o dia-a-dia dos pescadores da Barra
da Lagoa, em Florianópolis, fez surgir um trabalho
conjunto, cerâmico-fotográfico.

Localizada a leste da Ilha de Santa Catarina, a Barra da
Lagoa se constitui na maior e mais autêntica comunidade
pesqueira ilhoa. Sob forte influência dos Açores,
Portugal, os costumes e hábitos, assim como o linguajar
manezinho mantém, na Barra, em muito suas
características originais.

Conseqüência de freqüentes caminhadas pelas
praias durante todo o ano - por extensão à vizinha
Moçambique - Rui e Teca vão encontrando e carregando
para casa os mais diversos objetos trazidos pelo mar, resultado
do vai-e-vem contínuo das marés. Partes de barcos,
pedaços de ossos de baleias - antigamente havia uma
Armação no local - troncos de madeira, tábuas,
conchas - peças que por si só, diante de olhos
sensíveis, já se tornam verdadeiras obras de
arte - são desenterradas, levadas pelas ondas e depositadas
na areia. Muitas são aproveitadas, vindo a emoldurar
ou servindo como suportes às criações
estilizadas de Teca: estrelas do mar, conchas, peixes, principalmente
crustáceos, todos em cerâmica artística,
esmaltadas e levadas a altas temperaturas.

O estilo fotográfico se concentra no cotidiano dos
pescadores. Chegadas e saídas das baleeiras, o descarregar
da pesca, a limpeza dos peixes, os traços físicos
das pessoas, as gaivotas e garças famintas, instantes
de lazer rodeado de amigos junto à mesa de dominó,
a manutenção de equipamentos e o remendar das
redes, congelando-se assim momentos, os mais diversos, tudo
inserido num contexto mais amplo de documentação
e preservação cultural desta original comunidade.

ENTREVISTANDO RUI E TECA
Miguelito: Quem são Rui e Teca Bittencourt
?
Ambos: Formamos um casal feliz há muitos anos, tendo
uma vida artística em comum, que além de nos
completar, faz da arte fotográfica e cerâmica,
parte importante do nosso relacionamento.
M: Vocês são manés?
A: Somos naturais de Tubarão, sul do Estado,
porém nos sentimos verdadeiros manés, pois além
de vivermos há muito tempo em Floripa, já enraizamos
a cultura local em nossas vidas, prova disto é esta
exposição que acabamos de lançar.
M: Rui, você só trabalha com fotografia?
Rui: Não, sou formado em Odontologia pela UFSC
e especialista em Ortodontia. Há muitos anos dedico-me
à carreira em Florianópolis e nas horas vagas
trabalho na fotografia.
M: Teca, você tem outra formação além
de ceramista?
Teca: Sim, sou formada em Letras, pela UFSC e Unisul.
M: Conte-nos sobre sua formação, seus
estudos em cerâmica ?
T: Iniciei minha carreira em Buenos Aires no ano de
1978, com a ceramista Vilma Villaverde, já naquela
época reconhecida internacionalmente. Tive meu aprendizado
inicial em técnicas de modelagem, pintura e queima
cerâmica. De retorno ao Brasil continuei meu aperfeiçoamento
com as ceramistas Rosana Bortolin e Betânia Silveira,
esta última tornou-se minha grande amiga, com quem
sigo até os dias de hoje. Durante cerca de dez anos
atuamos nas oficinas de cerâmica do CIC e, mais recentemente,
na UFSC.
M: Fale-nos sobre o processo cerâmico da criação
de uma peça. Qual é a seqüência?
T: Inicialmente temos a escolha entre uma peça
artística ou utilitária. Tudo começa
com a preparação da argila e segue com a eleição
da técnica que melhor se adapta a esta obra específica.
Depois de modelada, a peça passa pelo processo de secagem
natural; vem a primeira queima, transformando a argila ou
barro em cerâmica. Essa queima é realizada em
forno apropriado, geralmente elétrico, com temperatura
em torno de 900 graus centígrados, por um período
de 6 a 8 horas. A segunda queima é mais rápida,
pois a temperatura é mais alta, em torno de 1000 graus.
Esta última queima dá o efeito vitrificado -
esmalte - e coloração - óxidos e pigmentos
- em suas variadas técnicas de aplicação.
Continuação : [2]
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