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Meu primeiro encontro
com Vera Fischer
por Olsen
Jr
Quando cheguei em Blumenau, final de l972, ela não
estava mais lá. Depois de ser eleita miss Blumenau,
miss Santa Catarina, e finalmente, miss Brasil, em 1969, teve
(por força de contrato) de participar de inúmeros
eventos no País todo, alguns envolvendo políticos,
nos quais as misses eram convidadas, coquetéis, badalações,
onde a beleza feminina triunfava enquanto os promotores (leia-se
Diários Associados) tentavam assegurar
contratos financeiros para o então império das
comunicações que se conhecia.

Mais tarde, foi apresentadora de um programa de turismo (TV
Rio), depois integrou os júris dos programas de Flávio
Cavalcanti e Chacrinha, e claro, participou do elenco de várias
pornochanchadas. Filmes que não possuíam história,
cujo objetivo maior era o faturamento econômico centrado
na exposição do nu feminino.
Lembro do primeiro deles, chamava-se Sinal vermelho:
As Fêmeas. Em Blumenau, as filas dobravam quarteirões
para vê-la. Era uma catarse, a filha do senhor Emil
Fischer (imigrante alemão) casada com a sra. Hildegard
Fischer (brasileira), proprietários de uma casa de
comércio onde vendia-se de tudo um pouco, aparecer
peladona, revelando um corpo capaz de deixar qualquer homem
louco, era um evento. Era coragem sacrificar-se por uma arte
na qual acreditava, mesmo expondo-se ao desvario coletivo
baseado puramente nos instintos animalescos do cio provocado
pela forma, em detrimento de um trabalho em que sempre acreditou.
Levou muito tempo para convencer o público de que,
mesmo toda aquela baixaria (aparentemente sem nexo) era coisa
séria na cabeça daquela estreante. Foi apenas
o começo de um vale tudo incluído
em um projeto amplo que era chegar ao estrelato onde pudesse
transcender o talento que julgava possuir e não apenas
o corpo que já possuía.
Durante muito tempo fui colecionador das peripécias
de Vera Fischer, pelo menos duas revistas Playboy,
um livro de entrevistas (de Ivo Cardozo) para a mesma revista,
incluindo várias celebridades. Os casamentos, os namoros,
os destinos, as drogas, os desfiles, o teatro, a TV séria
e o cinema também sério, os reveses, a volta
por cima, e finalmente, a consagração, onde
só se admira, não se questiona.
Depois da apresentação da peça A
Primeira Noite de um Homem (The Graduate),
Caio, um colega, liga no celular e diz a Vera está
te esperando no camarim... ela poderia estar esperando
1 milhão de caras, mas naquela hora era comigo. Fui.
Encontro-a impecável num vestido longo rosa (com leve
transparência), uma sandália branca deixando
à mostra uns pés bem cuidados, aqueles olhos
verdes infernais sustentados por um nariz perfeito e uma boca
extremamente convidativa. Cumprimento-a dizendo Hello,
mrs. Robinson. Ela não entendeu a blague e não
insisti. Depois dos cumprimentos e apresentações
de praxe, marcamos uma entrevista para o jornal Ô
Catarina, da Fundação Catarinense de Cultura
(FCC). Ficou grata por ser entrevistada por um filho de outro
blumenauense (meu pai nasceu lá). Tiramos uma foto
juntos, ela com um exemplar do jornal nas mãos, senti
os efeitos de sua dedicação com o corpo, a impressão
que tive foi de que podia erguê-la com aquele único
braço que a envolvi para a pose, fazia calor, eu estava
suando quando a beijei, pedi desculpas, ela afirmou que estava
feliz, que o que estava sentindo era o reflexo do calor humano
de sua terra, e era o que importava...
Saí dali grato, muitas vezes, admito, acreditei que
a Vera Fischer não fosse humana.
FIM
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