ANO III-nº33 - dezembro de 2004- Florianópolis 10.000 exemplares em papel pega o teu, ô: Distribuição Gratuita


capa
editorial
crônica
exposto
click fotográfico
turismo & eventos
serviços gastronômicos
saúde
histórias da Ilha
malu 100% mulher
espaço cultural
agenda
esporte
arroba e etc...


mapa da ilha
telefones úteis


quem faz o mané
publicidade


receba nossa newsletter
fale com a gente


.

[Capa/Livro Aberto] DEZ.04

MONUMENTOS MEGALÍTICOS Parte 2


... DE PESCADOR A ANTROPÓLOGO

Adnir Antônio Ramos, pescador como boa parte dos nativos da Fortaleza da Barra da Lagoa, encantou-se pelas inscrições rupestres da Ilha de Santa Catarina em meados dos anos 80. Ficou tão intrigado que lutou para entrar na universidade só para estudá-las.

Tudo começou em 1986 quando Ramos saiu um dia para pescar com mais alguns homens. Um deles lhe apontou, do barco, algumas inscrições “esquisitas” no costão da Barra, num ponto conhecido como Ponta do Frade. Ramos então começou a se perguntar o que eram, o que significavam e quem desenhara tão estranhos símbolos naquelas pedras. Começou a notar também que, além dos desenhos, havia algumas pedras graníticas imensas no topo do morro da Barra da Lagoa.

Um dia sentado no terreno atrás da sua casa, na Fortaleza da Barra da Lagoa, observou a lua nascer exatamente entre duas pedras. Começou então a procurar uma plataforma de onde pudesse ver o sol nascer sobre ou entre algumas delas. Até que descobriu uma interessante coincidência: a pedra que servia para os povos ancestrais como ponto de observação daquele imenso calendário solar estava localizada simplesmente no quintal atrás da sua casa. Tinha sete metros de altura por sete de largura e apresentava um tipo de calço formado por três pedras pequenas.

Ramos pôde observar, então que 26 dias antes do solstício de verão o sol nascia entre duas pedras no alto do Morro da Barra. No dia 21 de dezembro, um dia depois do fim da primavera, o sol nascia sobre um dólmen (megálitos verticais, sobre-postos a outros horizontais) à direita das duas pedras. Em 1999 descobriu outro dólmen no caminho que liga a Fortaleza da Lagoa à Praia da Galheta que serviria como observatório para os equinócios a partir de outros megálitos.

Foi assim que o antropólogo começou a defender a hipótese da existência de pedras com função astronômica em Florianópolis. Constatou que os primeiros povos a habitar a região litorânea utilizavam grandes blocos de pedra, posicionados no topo de morros à beira-mar, como um imenso calendário astronômico a céu aberto.

Os índios e pré-índios usavam esse calendário para uma série de atividades cotidianas como a pesca e o plantio.

Com o tempo, utilizando um medidor geodésico, Ramos pôde comprovar sua tese sobre as pedras orientadas: os primeiros habitantes da Ilha de Santa Catarina possuíam conhecimentos astronômicos e matemáticos, além de disporem de tecnologia suficiente para “construir” tais calendários de pedra.

Nossa redação procurou o senhor Adnir Antônio Ramos, mais conhecido como Maninho, no dia 1º de dezembro a fim de saber sobre as novidades da arqueoastronomia.

Redação: Maninho, é verdade que será inaugurado um portal para a trilha da Fortaleza da Barra?
Maninho: Sim, no dia 18 de dezembro, na entrada da Fortaleza da Barra, inauguraremos um portal que servirá de ponto de partida para uma trilha de visitação a monumentos megalíticos.

R: Nos contaram que nesta inauguração acontecerão duas campanhas simultâneas, é verdade?
M: Sim, na inauguração faremos uma campanha de arrecadação de alimentos para os índios Guarani e Caigangues que atravessam uma situação precária e outra campanha de retirada dos pinus elióticos do morro da Galheta, pois estes pinus danificam a vegetação nativa e escondem os monumentos megalíticos, colocando em risco o capim gordura e o sapê, além de todo o ecossistema da região.

R: Outras atividades estão sendo planejadas?
M: Sim, o arreda boi, o Valdir Agostinho, o coral dos índios e muitos outros artistas serão convidados para este dia.
Quando começou este levantamento, loteamento e identificação dos monumentos megalíticos?
Eroconsult é uma empresa de levantamento aerofotogramétrico, contratada pela prefeitura de Florianópolis a fim de identificar os pontos de assoreamento da Lagoa da Conceição. Na mesma ocasião, entramos com um projeto para aproveitar o trabalho que estava sendo realizado na Lagoa para que também fosse feito o levantamento dos monumentos megalíticos do morro da Galheta até a Joaquina. Logo em seguida, com GPS Geodélico, tiramos todas as coordenadas geográficas e com a FONPAR (Fundação da Universidade do Paraná) e o professor e astrônomo Germano, que é uma autoridade no assunto, fizemos o loteamento destes monumentos megalíticos e foram, neste momento, comprovados os alinhamentos.

R: Quando tudo isso aconteceu?
M: Por volta de 1996, quando queriam implantar na ilha o turismo rupestre, momento este que intervimos negativamente, já que entendíamos que naquela época não havia condições mínimas para abrirmos as trilhas, pois isto exige um planejamento minucioso, com infra-estrutura, monitores e vigilantes para que não haja uma depredação.

R: Como anda o panorama geral da arqueologia em Santa Catarina?
M: O panorama geral está lastimável, no Costão do Santinho, por exemplo, muitas peças retiradas já não são mais localizadas. Pude acompanhar a destruição de dois megálitos em Laguna. Nós acompanhamos recentemente a retirada de aterro do sambaqui da Palhoça para a venda de adubo. O IFAM tem três ou quatro arqueólogos para cuidar de toda Santa Catarina. Em outubro, quando fui dar uma palestra em Laguna, encontrei no Sambaqui quatro machadas (artefatos indígenas) na beira da água, pois as pessoas tiravam o aterro, faziam as suas casas e o restante jogavam para dentro da água. Conforme a maré vai lavando o aterro, as peças vão reaparecendo, desmascarando o crime arqueológico que é feito em Santa Catarina.

R: Como você se sente diante deste quadro?
M: Sinto-me impotente, pois o meu papel é de pesquisador e a fiscalização, que é obrigação do governo, está impotente e inoperante. Para aliviar a consciência, dedico-me a projetos como este que será inaugurado no próximo dia 18 de dezembro na Fortaleza da Barra.
Nossa redação vem observando há muito tempo, vandalismo e depredação deste patrimônio da humanidade. Com a proximidade da temporada, muitos turistas que não fazem idéia da riqueza destas escrituras e pedras, riscam, picham nomes e palavras, numa ação muitas vezes inocente, devido à falta de avisos, fiscalização e proteção por parte de nossas autoridades, que ainda não se conscientizaram de que estas inscrições e pedras podem ser a porta de entrada do turismo internacional de qualidade, além de muitas descobertas sobre nosso passado que ainda não foram levantadas.
É isso que o turista de qualidade procura, basta organizarmos a visitação através de iniciativas públicas e privadas.

É por isso que fizemos esta matéria, buscando esclarecer um pouco sobre essa riqueza, a fim de diminuir a destruição deste patrimônio.
Fica aqui o nosso compromisso de voltar a este assunto em breve, até que algo relevante por parte do governo seja feito para nortear o futuro da nossa arqueologia. Assim como o belo exemplo que o governo dá, incentivando a arqueologia sub aquática na praia dos Ingleses no norte da ilha.


FIM

.


Restaurante
O CUNHA
Culinária
Portuguesa
na Lagoa

reservas
334-2435
9912-5085
OLHO MÁGICO
PRODUÇÕES

Revistas, Periodicos, House-organs, Jornais...

226-8046
Academia Marcelo Amin, na Lagoa
visite o site
Café dos Araças
Música ao vivo

cafedosaracas.com
Latitude 27
Lagoa da Conceição

latitude27.com.br
Floripa Internet
Melhor se for daqui.

floripa.com.br
Graphic & Web DESIGN
Adrian Martin
San Juan
visite o site
  2004 © by O Mané (Miguelito). "te arranca daqui, sêo tanso!". site by teleart! | www.omane.com.br