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CAMINHOS DO BRASIL (1)

A Arte de Caminhar nos dá a possibilidade
de estar mos com nós mesmos, de adequarmos a nossa
veloci- dade, conhecermos nossa capacidade física e
psíquica, vencendo barreiras e distâncias.
Vivendo cada dia por inteiro, sentindo os raios de sol, pingos
de chuva, os ventos das montanhas ou brisas do mar. É
ter tempo de parar, de ver e olhar conhecer a gente do lugar.
É saber que quando caminhamos, somente nós
mesmos é que nos levamos. É reviver uma
rota a seguir e no fim de cada etapa, uma história
para contar. A vitória da chegada é o sabor
de contemplar o feito, um novo aprendizado e de saber que
somos capazes.
Na edição anterior estivemos em Minas Gerais
a Caminhar pela Estrada Real (antiga rota do ouro e pedras
preciosas) relembrando nosso Brasil Império, desfrutando
as belezas naturais, convivendo e ouvindo histórias
do povo mineiro, as lutas pela nossa Independência.
Revivendo, vivendo e seguindo.
Nesta edição chegamos ao Espírito Santo
, estado exuberante em sua mata, com relevo montanhoso, praias,
povo e, unidos aos peregrinos do Caminho de Santiago,
aos caminhantes da Estrada Real, somos agora
os andarilhos de...
...OS PASSOS DE ANCHIETA
fazendo o caminho percorrido, no século XVI, pelo
jesuíta José de Anchieta, andando pelas areias
das praias, onde compunha seus poemas em versos escritos na
areia.
José de Anchieta, um espanhol das Ilhas de Canárias,
que em 1553 veio para o Brasil, com a missão de catequizar
os índios e para se tratar de um grave problema ósseo
que comprometia sua postura.
Tornou-se um dos maiores catequizadores. Além de fundador
de várias cidades, construiu Igrejas, Casas de Misericórdia,
Colégios. Realizou obras na área de ciências
naturais e escreveu a primeira gramática tupi-guarani,
para ajudar os colegas no trabalho de catequização
do índio. Foi lutador e guerreiro .
Esteve em Salvador, em São Vicente e depois veio para
o Espírito Santo, na terra dos Capixabas. Capixaba
era como chamavam o nativo, aquele que era da roça,
da lavoura do milho e que depois passou a designar as
pessoas nascidas no Estado. E ali Anchieta passou seus últimos
anos na aldeia de Rerigtiba (hoje Anchieta).
A distância entre Rerigtiba e Vitória era de
100km, trajeto que ele fazia a pé, de 15 em 15 dias,
para poder cuidar do Colégio de São Tiago, que
depois seria transformado na sede do Governo Estadual do Espírito
Santo.
Contam que Anchieta fazia o trajeto a pé devido ao
grande problema de coluna, que o impedia de ir montado a cavalo.
Hoje o Caminho está restruturado, seguindo pela orla
marítima e voltando a ser feito (a pé) por várias
pessoas, os Andarilhos, que revivem a trajetória
feita pelo Jesuíta e por vezes lembrando de como tudo
deveria ser difícil. É a nossa história,
um espaço de grande beleza onde o caminhar
permite momentos de reflexão e paz, do dar e receber.
O Caminho, num total de quase 100km, inicia-se na Catedral
Metropolitana de Vitória, obra de arquitetura gótica/bizantina
e vai seguindo pela cidade até o Terminal Dom Bosco,
onde em uma barca, o andarilho fará a travessia da
entrada da baia, em Vila Velha.....
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