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RANCHO DA MARCHA RANCHO

Neco e a Cidade
Orlando Mello, músico e compositor, nasceu na cidade
de São Leopoldo - RS há 47 anos e chegou com
sua família em Florianópolis em 9 de fevereiro
de 1970, véspera de carnaval, para se transformar num
dos manezinhos mais representativos e apaixonados
dessa cidade. Em seu 1º passeio pela cidade, o menino
Neco como ficou conhecido - deparou-se com um grupo
de crianças brincando e cantando na rua, todos mascarados,
o que o deixou curioso e maravilhado. As crianças brincavam
de Papanduva e anunciavam a chegada do carnaval.
Com os pais, o Sr. Airton Mello e Dona Janice e seus 7 irmãos,
estabeleceu-se no bairro de Coqueiros onde passou sua infância
e juventude e onde também teve seu contato mais caloroso
com a música.
O menino Neco, aos 12 anos, já participava das rodas
de boemia como gente grande, com seu violão sempre
à postos. Lembra Neco, da época em que extraía
das pedras das praias de Coqueiros as ostras que degustava
na hora, puras e fresquinhas - e foi nesta mesma praia que
poucos anos mais tarde assustou-se ao se deparar com uma placa
anunciando: Praia Imprópria para Banho.
Mas seu susto não melindrou sua paixão, e Neco
partia com sua mochila nas costas, percorrendo praia a praia,
canto a canto, sua Ilha, de norte a sul. Pronto! Agora podia
dizer: Conheço essa ilha como a palma da minha
mão! E talvez a não conhecesse a palma
de sua mão tão bem quanto a Ilha...
A Barra da Lagoa, musa inspiradora e menina dos olhos de
Neco, conheceu num passeio de Kombi com o amigo e colega Marcelo
Muniz um dos fundadores do Grupo Engenho - e família.
E em 1980, teve sua obra mais importante gravada e consagrada
pelo Engenho:
Hoje to triste, pescador ..........................Hoje
não tem, cantoria
Perdi meu amigo Chicão ...........................Nem
vai ter boi-de-mamão
Morreu de cansaço dos barcos...................
Renda em dobro pra Maria
Lá na Barra da Lagoa .............................Que
é rendeira da Lagoa
Lagoa da Conceição!..............................
Lagoa da Conceição!
Lagoa da Conceição!..............................
Lagoa da Conceição!
Neco e a Música
Sempre atento nos movimentos musicais e influenciado
pela musicalidade rica e sofisticada dos nossos manezinhos,
compôs sua primeira canção aos 13 anos
e a batizou de Pescador, a partir daí não
parou mais. De 1979 a 1984, Neco passou a viver, respirar,
beber e comer música, literalmente! Trabalhava com
música para garantir seu pão e alimentar sua
alma. Claro que a alma sempre muito mais alimentada que o
bolso, o que resultou em um lucro incalculável para
a cultura catarinense. Das mais de 50 músicas compostas
e - oficialmente registradas a mais conhecida é
a Lagoa da Conceição. Onde tiver
uma roda de violão, ouve-se ...Hoje tô
triste, pescador / Perdi meu amigo Chicão / Morreu
de cansaço dos barcos / Lá na Barra da Lagoa
/ Lagoa da Conceição, Lagoa da Conceição...
- praticamente um mantra-mané! Em 1975
ganhou seu 1º cachê, apresentando-se no Holliday
Center, onde também tocavam músicos como Samuka,
Rui Neves, Fernando Bastos e Detto.
Em suas andanças pelas noites de Florianópolis,
Neco gostava de freqüentar a extinta boate Samburá,
embaixo do Praia Clube, em Coqueiros, para assistir o fino
da música catarinense com a bossa de Luiz Henrique
Rosa, o samba de Detto e Tuca, o piano de Aldo Gonzaga e as
composições maravilhosas de Zininho. No Restaurante
Tubulão, Neco viu pela primeira vez, absolutamente
encantado, um negro lindo e muito elegante dentro do seu terno,
tocando um trombone tão suave que aproximava seu instrumento
dos ouvidos das pessoas. Tratava-se de Mazinho o grande
Mazinho do Trombone. Algumas noites a boemia rolava na famosa
boate do Clube Penhasco e, com o avançar das horas,
Neco voltava para casa à pé, percorrendo toda
a Prainha, atravessando a Ponte Hercílio Luz até
chegar em Coqueiros. Depois de passar por um terreno abarrotado
de cajueiros, chegava, enfim, em sua casa. Em seu caminho,
inebriado com o perfume que exalava dos cajueiros, Neco compôs
outro grande sucesso, conhecido dentro e fora do Estado: Que
Gostoso é o Caju!, uma canção doce
e de alma pura, como é o próprio compositor.
Presença constante em todos os Festivais Universitários
da época, seu primeiro grupo musical chamava-se V
0 (lê-se VÊ ZERO) e era formado por
ele, Álisson Motta e Frazer, todos estudantes de Engenharia
da UFSC. Seus parceiros Álisson e Frazer vieram a formar,
mais tarde, o famoso Grupo Engenho antes chamado Misantropia
com Marcelo Muniz, Luiz Moukazel e Chico Thives. Neco
seguiu compondo, cantando e fazendo parcerias. Gravou um disco
compacto duplo com a participação de músicos
de renome nacional como Lethieres Leite atualmente
músico e arranjador de Ivete Sangalo, Alegre Corrêa,
Márcio Corrêa, Gringo Saggioratto, Luiz Meira,
Isaak e Laurinho Bandeira hoje trabalhando na Áustria.
RANCHO DA MARCHA RANCHO
Profissionalmente, afastou-se da música e foi
trabalhar longe dos palcos assim que se casou com Liliam,
em 1984, e com ela teve seus três filhos: Maurício
(20), Eduardo (19) e Roberto (10). Mas como quem nasce com
a música nas veias não permanece em silêncio,
Neco jamais deixou de carregar seus instrumentos de percussão,
onde quer que ele fosse. Aliás, assim o faz até
hoje. É ouvir um violãozinho que já puxa
seu batuque e arrasa!
Com a nobre intenção de reunir os velhos e
atrair os novos amigos e de resgatar a nossa música
e reunir grandes músicos e amantes da música,
Neco mantém um rancho onde cria ostras na Ponta de
Sambaqui, e abre as portas todo 1º domingo do mês
para uma Jam Session, ou seja, os músicos
comparecem com seus instrumentos, músicas e inspirações
e o Rancho da Marcha Rancho uma homenagem
ao gênero musical perdido no tempo oferece uma
refeição à base de frutos do mar e servida
em pratos de barro com a indispensável cervejinha,
ou a deliciosa caipirinha de cachaça, dependendo do
gosto do freguês. Já no 2º domingo do mês,
Neco abre as portas de seu Rancho para o ensaio de seu bloco
de carnaval, o Marcha Rancho, que pretende resgatar
o verdadeiro carnaval de rua de Florianópolis. No último
carnaval, o bloco fez sucesso total por onde passou com o
samba Tristeza Zero. Para o próximo carnaval,
Neco estima que aumente consideravelmente o número
de foliões, e avisa que quem tiver interesse
em participar do bloco, é só procurá-lo
lá no Rancho, na Ponta de Sambaqui, não
tem? e reservar sua camiseta para garantir a alegria
do próximo carnaval.
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