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por Olsen Jr
E PORQUE NÃO, EU ?
assei a vida toda abrindo mão da minha vez,
sempre acreditando que havia alguém melhor do
que eu. Hoje, decorridos quase 50 anos, pergunto onde
estão aqueles que julgava melhores do que eu?.
Não é difícil responder, a maioria cedeu
a uma espécie de comodismo afeito ao quero acertar
a minha vida, e de fato acertaram ou então, quando
a farsa é revelada, quer dizer, o interesse individual
se sobrepondo às necessidades coletivas daquilo que
se esperava que fizessem, perdem a credibilidade e disfarçam
com um aparente enfado, um déjà vu piedoso,
uma certa descrença nos homens que lhes repetem os
passos, naquilo que já vivenciaram e chegaram onde
chegaram, ficando, no entanto, sempre a amarga consciência
de que tudo se repete na natureza humana, e quando atingem
esta constatação é, invariavelmente,
tarde para (re)começar de outra maneira, vivenciam
então, o círculo vicioso do avô repetindo
sempre as mesmas histórias para os seus
netos. Todas as vezes que um homem decente se omite, um canalha
assume.
Isto tudo me vem à lembrança agora que me candidatei
à cadeira nº 05 da Academia Catarinense de Letras,
vaga com a morte do amigo, escritor Theobaldo Costa Jamundá
(de quem já falei neste espaço, edição
do dia 11/06) e cujo patrono foi o jornalista Crispim Mira.
Um acadêmico teve a desfaçatez de pedir para
que desistisse da candidatura com o argumento solerte de que
não era a minha vez...ri, disse ao emissário
que não contava com o voto dele, mas lembrei-lhe que
a minha geração foi a que fez a
hora, que não esperou acontecer, que eu (como lembrou
Kennedy) perdôo tudo só não esqueço
os nomes. Não suporto a covardia e nem a subserviência.
Então, ele deu a estocada que acreditava mortal: o
teu principal concorrente nasceu na rua Crispim Mira e escreveu
um livro sobre ele. E daí? Questiono, o que o
Sr. está me propondo seria o mesmo que eu afirmar,
meu pai nasceu em Blumenau (é fato), morei minha vida
toda lá, fui amigo do Emil Fischer no bairro da Velha,
também da sua filha, conhecida nacionalmente como Vera
Fischer, e então, vamos mobilizar a classe dos jornalistas
para pô-la em meus braços, uma vez que sou absolutamente
apaixonado por ela, como qualquer um pode constatar. Tenha
dó. Mais que tergiversar sobre sonhos, é vivê-los,
digo para o atônito interlocutor, Crispim Mira é
uma alma gêmea de qualquer idealista, obcecado por uma
causa coletiva, de pessoas que se sacrificam e também
são sacrificadas, que precisam morrer para que a sociedade
saiba que um dia existiram, no meu caso, temos muitas coisas
em comum, somos escritores, ambos formados em Direito, e também
jornalistas que nunca fizeram concessões. Crispim Mira
morreu assassinado por razões políticas: acredito
que não tenha o mesmo fim, mas se o tiver, provavelmente,
citando Nelson Rodrigues, serei assassinado por imbecis de
ambos os sexos, sem razão nenhuma. Depois disso, o
cara saiu desconcertado mas consciente de que a direita acreditava
que eu não tinha mais jeito, já a esquerda,
tinha certeza!
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