ANO III-nº31 - outubro de 2004 - Florianópolis - 10.000 exemplares em papel - pega o teu, ô: Distribuição Gratuita


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[Dia da Criança] OUT.04

BRINCANDO E APRENDENDO

A Parlenda existe há 4 anos, fabricando idéias, brinquedos e brincadeiras. Do atelier saem os bonecos de pano, feitos artesanalmente, em tecido 100% algodão cheios de lã de carneiro, dando a eles mais consistência e peso, para que desperte sentimentos de carinho e aconchego, além de trazer para a criança uma possibilidade mais ampla de impressões sensoriais. A lã de carneiro oferece ao boneco uma temperatura próxima do corpo humano, diferente de outros materiais sintéticos, o que o torna mais e ficaz como instrumento de exercício de relação humana. Com o passar do tempo, devido à lanolina, sua consistência também vai se aproximando a do corpo.

Tomando uma forma própria, o que o torna único, quase como se tivesse uma personalidade. Por este motivo, o rosto é apenas sugerido, para que a criança possa imaginá-lo, criando feições para cada situação. São feições dinâmicas. Isso é diferente de um boneco com uma feição estática e rígida. Até os 4 anos de idade, se a criança não for questionada, ela não sente a falta do rosto. Depois sim, ela pode inclusive personaliza-lo desenhando o rosto.

A maioria dos bonecos tem uma feição alegre padrão. Imagine uma criança que está sofrendo, que está brava ou sentido dor. Ela olha para esse boneco e ele está feliz, sorridente. Perceba o problema que isso pode gerar para ela.

O boneco sem face estimula a imaginação, a criatividade, o senso da geometria espacial, a percepção 3D.

A linha de bonecos tem tamanhos, roupagens e “cores de pele” diferentes, trazendo-a para a realidade, saindo do padrão rígido de cor, formato, tamanho e beleza “tradicionais”. A diferença do boneco feito artesanalmente para o boneco industrial é a originalidade, isto é, jamais haverá um idêntico ao outro.

Enfim, brinquedos de materiais naturais como madeira, lã, papel, dão a criança relação mais efetiva com a natureza. Ela é capaz de compreender com o que de fato ela brinca, de onde veio, seu real valor, possibilitando mais respeito.

Não podemos esquecer os brinquedos e brincadeiras tradicionais, como a pipa, pião, esconde-esconde, pula corda. Lembra? Para escolher alguém sempre uma parlenda, “uni-duni-te”,...Pois bem, cabe a nos, adultos, pais e educadores, transmitir aos pequenos a tradição, este elo de ligação entre pais e filhos. A idéia da Parlenda é resgatar todas as brincadeiras, brinquedos, cantigas e parlendas que fizeram parte da nossa infância, da dos nossos pais, avos, e que estão desaparecendo aos poucos.

Sendo uma ferramenta psicopedagógica, o brinquedo tem um papel muito importante na formação do ser adulto, porque este vem das experiências da criança na sua primeira infância. Então, se um adulto gosta de violência, sangue, lutas, com uma visão puramente tecnológica, desprovido de humanidade, isso certamente vem das experiências na primeira infância.

Feliz o povo que cultiva sua historia, pois o folclore é o retrato de sua crença e sabedoria, uma chama viva que deve ser nutrida. Pensando dessa maneira a Parlenda faz também bonecos que contam um pouco da nossa, como o Saci, o Curupira e a Iara, que podem ser o retrato da formação do povo brasileiro, representando as 3 ra;as que o originou.

O Saci-pererê é o nosso duende, vive nas matas, é negro,com uma carapuça vermelha que contém poderes mágicos, tem um pé só, encontrado no redemoinho de vento, no bambuzal, é ali que ele mora. Nossas crianças trazem para o seu universo, a convivência com a diferença de cor, com a deficiência física, de forma leve, suave, brincando.

O Curupira é conhecido no exterior como “brazilian demon”, demônio brasileiro, ele tem cabelo de fogo, as orelhas pontudas, em algumas regiões do país ele tem pêlos, e em outras, ele é verde, com os pés virados para trás. Ele deixa os caçadores caçarem para o seu sustento, mas quando caçam com outros objetivos, o curupira cria condições para que eles se percam na mata, confundindo-os com as marcas dos pés no sentido contrário. Ele sempre teve características de um “curumim”, um pequeno índio.

A Iara é uma ondina na verdade. Aqui é descrita como uma índia, com o corpo metade peixe, metade mulher. Como boneco, a Iara é loira para lembrar do componente branco de nosso povo. Ela protege os peixinhos, vivendo próxima às cachoeiras seduzindo os homens nas noites de lua cheia, atraindo-os para morrer no fundo das águas. Toda vez que se encontrava um homem morto por piranha, por exemplo, dizia-se que ele havia sido vítima de uma Iara.

Existem vários outros personagens criados como bonecos pela Parlenda: bobo, soldadinho, bailarina, duende, fada, bruxa, pirata, príncipe, princesa, black power, afro, mosqueteiro, aladim, colombina, índios. Quem sabe nessa visita você relembre de bons momentos da sua infância, até mesmo brincar um pouquinho antes de presentear alguém que você ama.

Parlenda: Av. Madre Bevenuta, 1404 - Sta. Mônica - F. 233-6423

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