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UM MERGULHO
NA HISTÓRIA DE Sta. CATARINA Parte
2

AS PESQUISAS
O objetos encontrados submersos na areia do fundo do mar são
as descobertas mais significativas: botijas de cerâmica
fabricadas em Sevilha, na Espanha, entre os anos 1560 e 1640,
usadas antigamente para transportar óleo, grãos
e bebidas; um sino de bronze, com inscrição
de uma cruz o único encontrado no mundo ainda
com o badalo intacto e um raro carregador de canhão.
Um dos achados mais recentes e importantes é uma régua
de madeira, que os pesquisadores descobriram se tratar de
uma escala de Gunter, precursora da régua de cálculo
e que possibilitava a definição da latitude
que a embarcação encontrava-se. Trata-se de
uma peça muito rara, apresentada por Edmund Gunter
em 1624.

A régua fez que a teoria inicial, de que este seria
o naufrágio mais antigo já localizado no Brasil,
fosse descartada, pois traz a inscrição do ano
de 1683, indicando que a embarcação naufragou
entre os séculos XVII e XVIII.
As teorias sobre a origem e identificação do
naufrágio são deduzidas por comparação,
cruzamento de dados e modernas pesquisas. No início,
havia especulações de ser um naufrágio
fenício, mas depois das pesquisas, e a identificação
de descobertas semelhantes em outros naufrágios, a
história começa a ser recontada.
Toda peça pode ser uma pista. Por exemplo, o relógio
do sol foi encontrado com coordenadas que apontam para as
Ilhas Canárias ao norte e o Rio da Prata ao sul, o
que seria a possível rota da embarcação.
A águia bicéfala impressa em uma caixa metálica
é a mesma usada nas bandeiras dos navios espanhóis
e também era o símbolo das armas da Espanha
entre 1500 e 1700. A inscrição leyda em um possível
selo de roupa (antes os pesquisadores achavam que seria um
selo papal por causa das chaves cruzadas gravadas nele
esta hipótese ainda não foi descartada).
O sino poderia indicar o nome e data da embarcação,
mas não existe confirmação de que ele
pertencia ao barco. Poderia estar sendo transportado para
ser usado em alguma igreja, já que tem a inscrição
de uma cruz e seu tamanho é maior que o comum na época.
Mas um dos grandes especialistas em sinos do mundo, o americano
Roger Smith, a possibilidade de que a peça pertença
ao navio não pode ser descartada. Os ossos encontrados
pertencem a indivíduos de 16 e 20 anos, que era a idade
dos navegadores da época. Estes ossos podem indicar
outras informações, como há quanto tempo
eles estão no mar, mas isso requer muito dinheiro,
porque são testes caríssimos.
Alexandre Vianna destaca a importância das pesquisas
feitas até agora: Temos alguns relatos baseados
em história oral, mas esse é um relato exato
e cientifico, lembrando que o objetivo principal do
projeto é saber como era vida dos navegantes a bordo,
o que vinham fazer aqui exatamente, o que transportavam, como
se alimentavam, porque naufragaram, entre outras questões.
Parte da história naval e da época colonial
brasileira podem ser desvendada. O arqueólogo
da Marinha, Luiz Octávio, finaliza: A importância
cultural, financeira e artística das peças encontradas
é inestimável.

Todas estas descobertas estão cercadas por um trabalho
árduo. O barco está enterrado na areia, entre
1 e 8 metros, a uma profundidade de 2 metros de água
e a 50 metros da praia. A área de pesquisa é
dividida em quadrículas, um espaço previamente
demarcado com 1.600 metros quadrados. Desde de março
deste ano, foram pesquisadas duas áreas destas, de
onde foi possível remover 400 peças. Vianna
acredita que devem ser estudas ainda cerca de 100 quadrículas.
Mais: [3]
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