ANO III-nº30 - setembro de 2004- Florianópolis 10.000 exemplares em papel pega o teu, ô: Distribuição Gratuita


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[Capa/Livro Aberto] SET.04

AS BALEIAS
NO LITORAL CATARINENSE Parte 3

M: E como vocês limpavam as baleias?
D: A camada de pele tinha cerca de 15 a 20 cm e não havia faca que desse jeito, então serrávamos uma parte para entrar um homem no meio e este cortava o toucinho em barras para ser puxado até a praia. O toucinho tinha de um a dois metros e, logo após o corte, a comunidade inteira juntava esforços para virar a baleia. Se conseguisse, aproveitavam mais, mas se não, a baleia era abandonada.

M: E como era utilizado o toucinho?
D: Nós levávamos para casa e toda família picotava em pedacinhos para levar em latas de 18 litros ao galpão da Pioneira onde era derretido. O pagamento era por lata e a roupa utilizada no picote tinha que ser enterrada, não prestava mais. O óleo depois de derretido era passado para um tanque de 200 litros. Antes de minhas caçadas existiam 3 tanques com trinta metros de profundidade feito com pedra bruta na Armação. Logo em seguida esse óleo era exportado, não sei precisar o destino, mas se comentava que ia para o Japão.

M: Utilizavam o óleo na comunidade?-
D: Sim. Além do óleo de baleia para as construções e as pombocas, um barco ia toda semana na Freguesia do Ribeirão buscar querosene, ou utilizávamos também “baga de anós” meia vida, fincada com arame pra clarear dentro de casa. Nossa e muitas igrejas da ilha são feitas de óleo de baleia, existem vários pés de casas na beira da praia da Armação feitos com esse óleo, nem um trator da prefeitura conseguiu movimentar. Hoje nem pode, pois faz parte do patrimônio histórico da ilha, assim como várias peças espalhadas por aí.

M: E hoje?
D: Naquele tempo muitas famílias sobreviviam da baleia. Hoje a baleia causa prejuízo, pois danifica as redes, além de dar uma multa violenta e um processo se isso ocorrer.

M: E os baleiotes, vocês matavam?
D: Não. Nem os baleiotes nem as mães, pois elas eram muito violentas.

M: Como era na hora da matança?
D: Era triste. A baleia dá um tipo de apito, um grito quando morre, tipo pedindo socorro. Às vezes quando errávamos e a baleia mergulhava, a dinamite explodia no fundo morrendo uma quantidade imensa de peixes, mesmo porque na época havia abundância em número e espécies.

M: Quais as espécies que vocês caçavam?
D: Olha, passavam algumas espécies, mas nós pegávamos a Baleia Franca, que é a mais freqüente em nossa ilha. Elas vêm cuidar da cria nestes meses de junho, julho e às vezes até agosto. Depois elas retornam. (fim da entrevista)
Esperamos que as cenas das baleias não se tornem apenas filmes de televisão. Lutaremos para que elas possam circular em todo o planeta, como sempre fizeram, batendo papo de um hemisfério a outro sem nenhuma perturbação. FIM.

Mais, CURIOSIDADES SOBRE A BALEIA FRANCA: [4]

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