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AS BALEIAS
NO LITORAL CATARINENSE Parte
3

M: E como vocês limpavam as baleias?
D: A camada de pele tinha cerca de 15 a 20 cm e não
havia faca que desse jeito, então serrávamos
uma parte para entrar um homem no meio e este cortava o toucinho
em barras para ser puxado até a praia. O toucinho tinha
de um a dois metros e, logo após o corte, a comunidade
inteira juntava esforços para virar a baleia. Se conseguisse,
aproveitavam mais, mas se não, a baleia era abandonada.
M: E como era utilizado o toucinho?
D: Nós levávamos para casa e toda família
picotava em pedacinhos para levar em latas de 18 litros ao
galpão da Pioneira onde era derretido. O pagamento
era por lata e a roupa utilizada no picote tinha que ser enterrada,
não prestava mais. O óleo depois de derretido
era passado para um tanque de 200 litros. Antes de minhas
caçadas existiam 3 tanques com trinta metros de profundidade
feito com pedra bruta na Armação. Logo em seguida
esse óleo era exportado, não sei precisar o
destino, mas se comentava que ia para o Japão.
M: Utilizavam o óleo na comunidade?-
D: Sim. Além do óleo de baleia para as
construções e as pombocas, um barco ia toda
semana na Freguesia do Ribeirão buscar querosene, ou
utilizávamos também baga de anós
meia vida, fincada com arame pra clarear dentro de casa. Nossa
e muitas igrejas da ilha são feitas de óleo
de baleia, existem vários pés de casas na beira
da praia da Armação feitos com esse óleo,
nem um trator da prefeitura conseguiu movimentar. Hoje nem
pode, pois faz parte do patrimônio histórico
da ilha, assim como várias peças espalhadas
por aí.

M: E hoje?
D: Naquele tempo muitas famílias sobreviviam
da baleia. Hoje a baleia causa prejuízo, pois danifica
as redes, além de dar uma multa violenta e um processo
se isso ocorrer.
M: E os baleiotes, vocês matavam?
D: Não. Nem os baleiotes nem as mães,
pois elas eram muito violentas.
M: Como era na hora da matança?
D: Era triste. A baleia dá um tipo de apito,
um grito quando morre, tipo pedindo socorro. Às vezes
quando errávamos e a baleia mergulhava, a dinamite
explodia no fundo morrendo uma quantidade imensa de peixes,
mesmo porque na época havia abundância em número
e espécies.
M: Quais as espécies que vocês caçavam?
D: Olha, passavam algumas espécies, mas nós
pegávamos a Baleia Franca, que é a mais freqüente
em nossa ilha. Elas vêm cuidar da cria nestes meses
de junho, julho e às vezes até agosto. Depois
elas retornam. (fim da entrevista)
Esperamos que as cenas das baleias não se tornem apenas
filmes de televisão. Lutaremos para que elas possam
circular em todo o planeta, como sempre fizeram, batendo papo
de um hemisfério a outro sem nenhuma perturbação.
FIM.
Mais, CURIOSIDADES SOBRE A BALEIA FRANCA:
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