|
AS BALEIAS
NO LITORAL CATARINENSE Parte
2

A Praia a esquerda, Matadeiro foi o nome escolhido para essa
praia pois era onde geralmente se fazia a matança da
baleia.
A Praia a direita se chama praia de Armação
do Pântano do Sul é o nome que se dá às
praias onde os pescadores faziam a preparação
dos equipamentos para caça da baleia. A exemplo disto
podemos citar Armação da Piedade, Armação
de Penha, Armação Picoróia (próximo
à Itajaí), entre outras.
... Há alguns dias a Exma. Ministra Marina Silva veio
ao Estado de Santa Catarina para assinatura de cooperação
técnica de capacitação de instituições
públicas e privadas na área de recursos hídricos.
Durante a solenidade a Ministra e autoridades do estado
apoiaram e divulgaram as ações de conservação
deste mamífero marinho, extremamente ameaçado
de extinção.

HISTÓRIA DE PESCADOR
A equipe do jornal Miguelito entrevistou em 2002 o senhor
Darci Floriano Vieira, um dos pescadores que matavam baleias
naquela época.
Miguelito: Seu Darcí, como eram aqueles tempos?
Darci: Olha, naquela época as terras eram do
Capitão Isidoro, criador de gado. O mar era bem afastado
de onde está hoje e da igreja da Armação,
mal se conseguia enxergar o mar, pois havia dunas e uma vegetação
alta onde fica atualmente a praia.
M: Por que caçavam baleias?
D: Naquele tempo precisávamos de óleo
nas pombocas (lamparinas) e para dar liga nas construções
(não havia cimento). Os ossos eram utilizados nas cercas
da região e limitavam o espaço do gado, entre
as dunas da Armação e o Morro das Pedras. Isso
tudo entre outros benefícios que as baleias nos forneciam
para subsistência.
M: Como era a vegetação naquela época?
D: A vegetação daqui nas dunas era coberta
de gravatal, pitangueiras e mata nativa de dunas.
M: Como tudo começou?
D: Evidentemente que eu não participei no início,
mas o meu pai sim. E o primeiro a chegar para caça
da baleia foi o Alemão, morador da Ilha
da Campanha, que na época mobilizou os pescadores locais.
Certa ocasião os pescadores deram falta do Alemão
e, ao subir no morro, viram um submarino espião, levantando
suspeitas sobre este imigrante. Quando o Alemão viajou
para sua terra natal, o galpão foi invadido e saqueado
por pescadores e autoridades do centro de Florianópolis.
Ao chegar, o Alemão mostrou felicidade, pois sua maior
posse não tinha sido levada: era um aparelho de comunicação
que havia enterrado e que causara maior espanto na comunidade.
Como estávamos em tempos de guerra mundial a comunidado
descobriu que o Alemão era um espião e ele foi
embora rapidinho.
M: Daí a pesca se encerrou?
D: Não, veio um senhor de Imbituba, um tal de
Joaquim com o Arlindo (dono da Pioneira da Costa). Foi então
que entraram os explosivos, lanças com dinamite. Nessa
época comecei a pescar baleias. Aproximávamos
pela frente da baleia para não sermos golpeados. Naquele
tempo o barco era a remo e junto à cabeça, encostávamos
um cano que conduzia a lança com dinamite. Uma dinamite
bastava, mas, às vezes precisávamos de três
ou mais, conforme a potência do explosivo e o porte
da baleia. Outra forma de matar as baleias era colocar várias
baterias de grande potência e lançar a lança
de ferro com os cabos para matar com descarga elétrica,
mas não deu certo, era muito trabalhoso e, dependendo
do porte da baleia, não havia carga elétrica
suficiente....
Mais: [3]
[4]
|