ANO III-nº29 - agosto de 2004 - Florianópolis - 10.000 exemplares em papel - pega o teu, ô: Distribuição Gratuita


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[Turismo/parte1] AGO.04

A ESTRADA REAL (1)



Na busca de ouro e diamantes surgiu um caminho entre as minas e o mar, por onde trafegaram tropeiros, comercializaram escravos e se esgotaram os veios e as jazidas, sempre na mira dos contrabandistas.
Duas trilhas marcaram a nossa história, uma delas termina em Paraty, a outra na cidade do Rio de Janeiro. Ambas se apagariam se não houvesse gente disposta a lutar além da capacidade das minas que minguaram.

Em seguida o minério de ferro tornou-se o centro das atenções comerciais e das trilhas fez-se a “Estrada Real”. Mesmo não existindo registro de algum rei ter passado pelo caminho a não ser um imperador, Dom Pedro II, na curta história monárquica brasileira. O caminho se apresenta repleto de monumentos, igrejas e vistas dignas da realeza que justificam o nome, fazendo você se sentir um rei.

Virando sinônimo de futuro para o turismo de Minas Gerais, transpondo o ouro encerrado e os diamantes desaparecidos, num registro histórico rico e farto.
O roteiro vai mais além do que um simples caminho. Tem atrações e potencial, com as devidas proporções, como o próprio caminho de Santiago de Compostela na Europa.

Inclui 177 municípios dos quais 162 são em Minas Gerais, passando em três estados por cerca de 1.400 quilômetros de extensão. Une o roteiro dos queijos, dos inconfidentes, da cachaça, do turismo religioso, das minas, do artista Aleijadinho e da história do Brasil.

Podemos iniciar por Lagoa Dourada, capital mundial do Rocambole, que fica na BR-383, entre Belo Horizonte e São João Del Rey, onde cada pequeno estabelecimento disputa o “status” de legítimo, verdadeiro, autêntico, numa briga gastronômica que pode comprometer seriamente a sua dieta no início do caminho.

Coincidindo com o roteiro “Cidades Históricas”, você perceberá que a “Estrada Real” inclui cidades esquecidas e desconhecidas pelos turistas menos atentos. Podemos citar como exemplo a cidade Resende Costa, que fica alguns quilômetros afastada da BR e apresenta uma diversidade de artesanato como tear, panos de roca, colchas e tapetes à venda em quase todas as portas.

A cidade de Coronel Chaves apresenta o Engenho Boa Vista, propriedade da oitava geração de descendentes familiares de Tiradentes, que, desde o século XVIII, produz a cachaça mais antiga do Brasil.

Andando mais uns 20 quilômetros, fica a cidade histórica de São João Del Rey, com sua aparência típica das cidades da Beira, em Portugal. É reduto dos Neves – ali nasceram e estão enterrados o presidente Tancredo Neves e sua esposa, Risoleta. Dali a cidade espalha-se pelas margens do córrego do Lenheiro, em logradouros antigos como o Largo do Rosário, a ponte da Cadeia e a rua Santo Antônio, das fachadas inclinadas. Podemos destacar a igreja de São Francisco de Assis, cujo frontispício foi projetado por Aleijadinho e, guardada no cemitério ao lado, os restos do referido presidente que não chegou a tomar posse.

É indispensável a visita às igrejas de Nossa Senhora do Carmo, do Rosário, das Mercês e a catedral de Nossa Senhora do Pilar, bem como as lojas de estanho onde a matéria prima é manufaturada em várias fábricas.

Os 14 quilômetros que separam São João Del Rey de Tiradentes são unidos por uma linda Maria-Fumaça. Já na estação de desembarque, Tiradentes demonstra sua beleza numa vila colonial bem cuidada, com hotéis charmosos, ótimos restaurantes com pratos típicos e lojas irresistíveis.

A redação procurou Vera Meyer, catarinense radicada em Florianópolis, que realizou o percurso da Estrada Real e nos deixou o seu relato pessoal. Recém chegada do Caminho de Santiago de Compostela, Vera leu uma reportagem sobre a Estrada Real e o lançamento de um Guia para Caminhantes. O texto discorria sobre o primeiro trecho, do Rio de Janeiro (RJ) até Juiz de Fora (MG), num percurso de 175,5 km. Ele deixava claro que o Caminho estava sendo reaberto, com trechos isolados, mas que já contava com pontos definidos de pousada e paradas.
Vera: “Fui pra lá e posso dizer que os moradores ainda não estavam acostumados com o fluxo de Caminhantes, ainda mais uma mulher sozinha. Hoje coloco que os cachorros também não. Disseram-me que não deveria ir só e que a estrutura não podia ser comparada a do Caminho de Santiago.”...

Leia Mais: [2]

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