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BAMBU UMA CULTURA MILENAR Parte
1
Na sua luta pela sobrevivência o homem buscou sair
da floresta e das estepes onde estava para instalar-se em
cavernas e grutas, onde o ambiente era mais controlado, sem
intervenções da chuva, do vento e dos relâmpagos
amedrontadores. Poderiam mais facilmente conter invasores
e ter uma vida mais harmoniosa em sociedade. Com o tempo faltou
espaço e os homens passaram a utilizar materiais da
natureza para construir "cavernas" temporárias.
Usavam o que encontravam; pedra, madeira, terra, areia, folhas,
e certamente bambu. É tubular, longo e resistente.
Flexível e fácil de manusear e transportar,
é mais leve que a maioria dos outros materiais fortes.
Na Ásia temos os exemplos vivos mais antigos da arquitetura
com bambu, em templos japoneses, chineses e indianos. O Taj
Mahal foi estruturado por metal recentemente, quando substituíram
a estrutura milenar de bambu. A construção de
pontes de bambu na China é algo espetacular, com vãos
enormes e tencionados com cordas de bambu. Na África
também encontram-se muitas habitações
populares construídas com bambu.
A facilidade de integração entre plantio, corte,
transporte, manuseio e resistência leva este material
a ser cogitado como a "madeira do século 21".
UTILIZAÇÕES
O bambu é usado há muitos milênios na
produção de uma vasta quantidade de artefatos
úteis ou decorativos. Por sua característica
tubular, o bambu já agrega funções e
adequações inerentes à sua forma. Sendo
composto basicamente de longas fibras vegetais, pode ser moldado
ou desfiado para novas aplicações. É
essencial que se escolha o tipo certo de bambu e o modo correto
de tratamento para cada aplicação.
Os asiáticos são os que demonstram maior tradição
no manuseio do bambu. Existem exemplares de lanças
e flechas feitas do bambu longo e fino chamado "Yadake".
Os samurais já usaram armaduras feitas com "escamas"
de bambu. Cestas, uma vasta gama de utensílios culinários,
esculturas, máscaras, luminárias. O bambu fica
especialmente bem encaixado nos harmoniosos jardins japoneses,
onde é usado como banco, portão ou tubo para
água corrente.
Uma frase atribuída a Confúcio sintetiza o
pensamento oriental sobre o bambu: "nós podemos
viver sem carne; nós não vivemos sem bambu".
Esta planta permeia a imaginação de chineses,
japoneses entre outros, e seus povos fixam o bambu em pinturas,
desenhos e gravuras, e até palavras. Sem contar que
o pincel, o papel e o material de escultura são muitas
vezes fabricados do próprio bambu.
A construção de instrumentos musicais de bambu
é também tradicional. Desde as baquetas de tambores
japoneses até os saxofones atuais, as técnicas
vão se desenvolvendo sem limites. Violões com
tampo de bambu laminado, flautas andinas, flautas transversas
e xilofones são alguns dos instrumentos já feitos
de bambu.
Na China se utilizava o Bambu para confeccionar livros muito
antes da invenção do papel.
Hoje, o papel é o uso industrial do bambu de maiores
proporções do mundo, pois oferece seis vezes
mais celulose que o pinheiro que mais rápido cresce.
Suas fibras são muito resistentes e tem qualidade igual
ou superior à fibra de madeira. O Brasil é o
único país das Américas a ter uma indústria
de papel de bambu, com uma grande plantação
no Estado do Maranhão.
Atualmente muitas pessoas pesquisam o uso do bambu como substituto
da fibra de vidro, que não é um material ecológico.
Uma das aplicações é na prancha de surfe.
O bambu bóia e tem maior resistência que a fibra
de vidro. Surfistas profissionais estão testando estas
pranchas e afirmando que são ótimas, especialmente
para manobras aéreas.
O bambu também é utilizado como combustível,
substituindo o uso tradicional e, muitas vezes, irresponsável
de madeiras importantes para os ecossistemas. O carvão
de bambu é de excelente qualidade, e seu rápido
crescimento equilibra a relação entre o gás
de carbono emitido e o gás de carbono absorvido.
Mais : [2] [3]
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